Entenda como o tensoativo não iônico atua no umedecimento 

Entenda como o tensoativo não iônico atua no umedecimento 
Tempo de leitura: 7 minutos

Entenda como o tensoativo não iônico reduz a tensão superficial, melhora o umedecimento de pigmentos e evita aglomerações em tintas aquosas.

Todo formulador já viu o pó boiando sobre a água, formando grumos secos que resistem até ao dispersor mais potente. O motivo está na interface sólido-líquido: o líquido ainda não consegue molhar a superfície da partícula.

É nesse ponto que o tensoativo não iônico entra em cena. Ele se posiciona entre as fases, reduz a energia da interface e abre caminho para o líquido penetrar nos aglomerados, vencendo o ar aprisionado entre as partículas.

Neste artigo, nós da Sumttex detalhamos a termodinâmica do umedecimento, o papel do ângulo de contato em pigmentos e cargas minerais e a razão pela qual a ausência de carga favorece a estabilidade em meios aquosos de alta carga sólida.

O que é tensoativo não iônico e onde ele atua?

O tensoativo não iônico é uma molécula anfipática, com cabeça hidrofílica sem carga e cauda hidrofóbica. A cabeça costuma ser formada por cadeias de óxido de eteno, como nos etoxilados, ou por grupos polihidroxilados, como açúcares.

Como não se dissocia em água, a cabeça interage por ligações de hidrogênio, e não por atração eletrostática. Por isso, sofre pouca influência de pH, sais e dureza, fatores que desestabilizam diversos tensoativos iônicos.

Essa versatilidade aparece no mercado. Segundo a MarketsandMarkets, o segmento deve passar de US$ 14,5 bilhões em 2022 para US$ 21,6 bilhões em 2030, com crescimento anual projetado de 5,1%, e tintas e revestimentos entre os usos finais.

Como o tensoativo não iônico reduz a tensão superficial líquido-sólido?

A água pura tem tensão superficial de cerca de 72 mN/m a 25 °C. Ao receber o tensoativo, as moléculas migram para as interfaces e orientam a cauda para longe da água, o que reduz a energia livre do sistema e torna o processo espontâneo.

Equação de Young e ângulo de contato

Quem comanda o resultado é a equação de Young: cos θ = (γSV – γSL) / γLV. Quando o tensoativo reduz γLV e γSL, o cosseno aumenta e o ângulo de contato diminui, o que favorece a molhabilidade do pigmento ou da carga mineral.

Em pigmentos orgânicos, de superfície hidrofóbica, a cauda adsorve no sólido e expõe a cabeça hidratada à água. Essa troca reduz a tensão interfacial sólido-líquido e transforma uma superfície repelente em uma superfície molhável pela água.

O critério termodinâmico é o coeficiente de espalhamento (spreading): S = γSV – γSL – γLV. Quando S é maior ou igual a zero, o líquido se espalha de forma espontânea sobre o sólido, sem exigir trabalho mecânico adicional.

Por que reduzir o ângulo de contato em pigmentos e cargas minerais?

Pós têm área superficial elevada e ar retido entre as partículas. Para molhar um aglomerado, o líquido precisa expulsar esse ar e penetrar nos poros, processo descrito pela equação de Washburn, em que a velocidade depende de γLV · cos θ.

Em pigmentos hidrofóbicos, o ganho em cos θ supera a queda de γLV, e a penetração nos poros do aglomerado acelera. O umedecimento ocorre em três etapas sucessivas, e o tensoativo favorece cada uma delas, como mostra a lista abaixo:

  • Adesão: o líquido toca a partícula e substitui parte da interface sólido-ar.
  • Imersão: a partícula entra no líquido e o ar deixa os poros.
  • Espalhamento: o líquido recobre toda a superfície disponível.

Na moagem, o efeito é direto. Pigmento bem umedecido dispersa com menos energia, reduz o tempo de dispersor e diminui o risco de flotação e separação em tintas de alto PVC, o que protege a uniformidade da cor de lote para lote.

Tensoativo não iônico ou iônico: qual umedece melhor em meio aquoso?

Não existe vencedor absoluto, porque o desempenho depende da formulação. Ainda assim, o tensoativo não iônico costuma manter a eficiência em água dura e na presença de eletrólitos, o que simplifica o trabalho do formulador.

CaracterísticaNão iônicoAniônico
Carga na cabeçaNenhumaNegativa
Tolerância a eletrólitos e durezaAltaMenor, com risco em águas duras
EstabilizaçãoEstérica, por cadeias hidratadasEletrostática, por repulsão de cargas

Como a ausência de carga evita a aglomeração em meio aquoso?

Sem carga, o tensoativo não adiciona cargas à superfície da partícula e convive bem com dispersantes aniônicos, como os poliacrilatos. Cada aditivo assume uma função bem definida na formulação: um umedece, o outro estabiliza o sistema.

As cadeias hidratadas projetadas na água geram repulsão estérica. Quando duas partículas se aproximam, essas cadeias se comprimem, a energia do sistema sobe e o contato que levaria à aglomeração é evitado de forma efetiva.

Vale lembrar que umedecer e estabilizar são etapas distintas. O umectante abre caminho, e o dispersante garante a estabilidade ao longo do tempo, evitando sedimentação e reaglomeração das partículas já molhadas pelo umectante.

A dosagem pede cuidado. O excesso de tensoativo pode gerar espuma e deixar o filme mais sensível à água, afetando a lavabilidade. Por isso, o uso de antiespumantes entra na rotina de ajuste fino da formulação e dos testes de bancada.

Como a Sumttex apoia o umedecimento em tintas e pastas?

Desde 2012, nós fornecemos insumos para a fabricação de tintas, de surfactantes a umectantes, com suporte técnico in-house ou em nosso laboratório, para aproximar o aditivo da realidade da sua formulação e da sua rotina de produção.

Nossa linha de umectantes inclui o OXYCLEAN F 12®, isento de nonilfenol etoxilado e indicado para sistemas aquosos de baixo VOC, tintas, concentrados de pigmentos orgânicos e inorgânicos e cargas minerais em geral, nas aplicações recomendadas.

O OXYCLEAN FP100 é à base de álcoois graxos e isento de alquilfenóis. Já o OXYCLEAN AM® atende tintas em emulsão, texturas e massas, e seu caráter tensoativo facilita a moagem dos pigmentos e evita a segregação por flotação.

Dúvidas de bancada: o que mais perguntam sobre umedecimento?

O que é tensoativo não iônico? É uma molécula anfipática sem carga elétrica, com cabeça hidrofílica e cauda hidrofóbica. Ela se adsorve nas interfaces e reduz a tensão superficial e a interfacial.

Para que serve o tensoativo não iônico no umedecimento? Ele reduz o ângulo de contato do líquido sobre o sólido, facilita a penetração em pós e acelera a dispersão de pigmentos e cargas minerais em meio aquoso.

Qual HLB ideal para agentes umectantes? Na escala de Griffin, agentes de umectação e espalhamento costumam ficar entre HLB 7 e 9. O valor ideal varia com o sistema e deve ser validado em bancada.

Qual a diferença entre umectante e dispersante? O umectante molha a superfície da partícula e desloca o ar. O dispersante separa as partículas e as mantém estáveis no meio, evitando sedimentação e aglomeração.

Tensoativo não iônico bem escolhido: o umedecimento que sustenta a sua tinta

Em resumo, o tensoativo não iônico reduz γLV e γSL, diminui o ângulo de contato e viabiliza o umedecimento de pigmentos e cargas minerais. A ausência de carga garante tolerância a eletrólitos e estabilização estérica por cadeias hidratadas.

Quer validar essa teoria na sua formulação? Fale com a nossa equipe técnica especializada e faça uma cotação de aditivos para tintas, com suporte de laboratório ou in-house, e leve o umedecimento ideal ao seu próximo lote de tinta.

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